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Batalhão Caçadores 4913

«No mar tanta tormenta e tanto dano,
Tantas vezes a morte apercebida!
Na terra tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade aborrecida!»

Luís de Camões (Os Lusíadas, Canto IV – XXXVII)


Foi uma guerra que durou 14 anos, que mutilou e ceifou muitas vidas. Destruiu famílias, arruinou percursos de vida, provocou desilusões e revolta.

Ainda meninos, tivemos a desdita de nela participar e, em pouco tempo, ver partir muitos dos nossos camaradas e amigos. Em todos os locais por onde passámos, em Cabinda e no Norte de Angola, debatemo-nos com angústias, dramas e lutas pela sobrevivência que, à distância a que nos encontramos, já vamos tendo dificuldade em relembrar.

Foram longos os tempos passados com saudades da família e da terra. Contávamos os dias para o regresso a casa, mas essa data nunca mais chegava. Nada se passava a não ser a constante preocupação com a defesa dos nossos pobres aquartelamentos e com as operações militares que éramos obrigados a realizar. Vivia-se numa permanente ansiedade provocada pelas saídas frequentes e pela eminência dos ataques às nossas patrulhas e quartéis. O cantar das metralhadoras, os mísseis, os morteiros, os RPG’s e as minas adivinhavam-se por todo o lado.

Tudo isto ocorreu numa época de incertezas resultantes do período revolucionário em curso em Portugal. Essas incertezas e indefinições relativas ao processo de independência de Angola e aos diversos conflitos armados entre os movimentos de libertação, com que tivemos de lidar na fase final da nossa comissão de serviço, contribuíram para amplificar ainda mais os nossos receios e ansiedades.

Resistindo a tanta adversidade e rodeados de tantos perigos, criámos um espírito de união que foi o cimento das lutas que travámos, cimento esse que tem perdurado pela vida mantendo-nos unidos até aos dias de hoje.

Regressados a nossas casas, deixámos de ser um batalhão do exército português para passar a ser um grupo de amigos que responde pela sigla do Batalhão 4913.

Honrando aqueles que nos deixaram, revivemos e reforçamos os laços de amizade nos nossos convívios anuais, alegres e muito participativos. Cabe aqui uma palavra de apreço a esse fantástico grupo (Fernando, Duarte, Esmeraldo, Fernandes e Aguiar), que os tem conseguido realizar, ano após ano, mantendo viva a chama da união e amizade entre todos nós.

Com toda a certeza, os nossos filhos e netos, conhecedores da história e das estórias do Batalhão 4913, orgulhar-se-ão de nós e relembrar-nos-ão mais tarde com saudade. Saibamos continuar a ser, pelo exemplo que damos e pelos valores que defendemos, dignos de tais honras.

J. Vitorino Reis (Ex-Capitão Miliciano da 1ª Companhia)



O Batalhão de Caçadores 4913 pretende mostrar um pouco da sua história através deste site. Sejam bem vindos ao nosso espaço.

 


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